Sobre Paulo Freire

Ninguém é obrigado a concordar com as ideias do maior educador brasileiro. Mas chamá-lo de doutrinador marxista é baixar demais o nível do debate

Entre tantas palavras de ordem levantadas na manifestação de 15 de março, uma gerou reação imediata de educadores nas redes sociais. “Chega de doutrinação marxista. Basta de Paulo Freire”, dizia uma faixa ilustrada com o símbolo comunista da foice e do martelo. Era apenas um cartaz isolado no meio de um protesto cuja motivação nada tinha a ver com Paulo Freire e sua obra. Não é a primeira vez, no entanto, que o mais conhecido educador brasileiro é criticado com argumentos com esses.

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Lei que inclui comida orgânica na merenda escolar é sancionada em São Paulo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sancionou no último dia 18 um projeto de Lei que prevê a inclusão de alimentos orgânicos na merenda escolar das escolas da rede municipal.

A Lei obriga que os alimentos orgânicos utilizados sejam oriundos da agricultura familiar, devidamente certificados ou produzidos por agricultores familiares que façam parte de uma OCS (Organização de Controle Social ), cadastrada no Ministério da Agricultura.

A nova Lei deverá ser implantada de forma gradativa. Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, as estratégias das metas deverão constar no Plano de Introdução Progressiva de Alimentos Orgânicos ou de Base Agroecológica na Alimentação Escolar a ser elaborado dentro de 180 dias pelo Executivo Municipal.

O projeto é de autoria do vereador Gilberto Natalini (PV) com a participação de outros parlamentares. (R7)

Refundar a escola

Volto àquela crítica que tão frequentemente se faz à Educação: empreender demasiadas reformas. Diz-se até que algumas destas reformas acabam por ser “reformadas” antes que tenham tempo de reformar o que quer que seja.

Existiram reformas que, a meio da sua implementação foram julgadas inadequadas. É certo que sim. Mas estes casos pontuais – a maioria das vezes relacionados com programas curriculares – não podem justificar uma empedernida resistência a que algo se mude na Educação em nome da “estabilidade”. Às vozes que clamam “Deem tempo à Educação para sedimentar os seus procedimentos” devemos perguntar: “Sedimentar o quê? Práticas e modelos que já provaram que estão desajustados aos alunos de hoje?”

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Finlândia será o primeiro país do mundo a abolir a divisão do conteúdo escolar em matérias

A campainha toca, mas, em vez da aula de História, começa a aula de “Primeira Guerra Mundial”, planejada em conjunto pelos professores especialistas em História, Geografia, Línguas Estrangeiras e (por que não?) pelo professor de Física que achou que seria uma boa oportunidade para trabalhar os conceitos de Balística.

À tarde, outro sinal, mas os alunos não vão ter aula de Biologia. Hoje a aula é sobre “Ecossistema Polar Ártico”, ministrada pelos professores especializados em Biologia, Química, Geografia e o de Matemática, que percebeu que os dados sobre o derretimento das geleiras seriam úteis para o estudo de Estatística.

Em pouco tempo, cenários como esse, que já são comuns nas principais escolas da capital Helsinki, poderão ser encontrados em toda a rede de ensino do município e nas cidades do interior. O objetivo é claro:

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O novo ministro

Nos últimos 20 anos, apenas dois titulares do MEC conseguiram permanecer no cargo tempo suficiente para deixar um legado

Após a saída intempestiva de Cid Gomes do MEC, Dilma prometeu indicar rapidamente o novo ministro da área. Em suas palavras, será “uma pessoa boa para a educação”, que não seja “desse ou daquele partido”. Seja lá o que isso signifique, a escolha do novo gestor deveria considerar o histórico recente de sucessos e fracassos no cargo. Nos últimos 20 anos, sete ministros se revezaram no posto. Apenas dois tiveram tempo suficiente para deixar algum legado: Paulo Renato Souza e Fernando Haddad.

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“Projetos abrem os olhos dos alunos para o mundo”

Quem já passeou pela seção Diário de Inovações do Porvir sabe como alunos se sentem mais motivados quando participam de projetos. Nos textos em primeira pessoa, professores relatam como alunos se tornam protagonistas de seu próprio aprendizado ao ver conexão entre a sala de aula e o mundo real.

Para aprofundar a discussão sobre o tema e mostrar a professores um caminho baseado em projetos que vai além da teoria, o Porvir conversou com Suzie Boss, consultora em educação americana especialista em PBL (sigla em inglês para aprendizado baseado em projetos). Autora de diversos livros sobre o tema, Suzie estará nesta semana no Brasil para participar do Innovate2015, evento promovido pela Graded School de São Paulo que tem como proposta repensar a escola.
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Professor usa o facebook pra conquistar atenção dos alunos nas aulas de História

Aulas de Histórias costumam não ser muito populares entre os estudantes. A dificuldade de abstração para caminhar em direção contrária na linha do tempo e o total desconhecimento sobre a produção do saber histórico são obstáculos que freiam o seu interesse.

Mas, um professor do Ensino Médio no Rio de Janeiro driblou essa situação e fez a galera participar mais das suas aulas, apoiando-se na popularidade do Facebook entre os estudantes. “Pedi que elas(es) imaginassem como seria o Renascimento Artístico e Cultural se houvesse Facebook. Como seriam as pessoas envolvidas? O que postariam? Como interagiriam?”, lembra o professor Pedro Henrique Castro, que fez esse trabalho com alunos do Colégio Pensi, unidades Vila da Penha e Tijuca.

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“Quando você tira a criança da sala de aula e traz para o mundo, a aprendizagem se expande”

“Para a construção de uma cidade educadora, os nossos desafios são imensos”, assim o economista Ladislau Dowbor definiu a busca por um projeto de cidade, sociedade e educação que seja verdadeiramente transformador e consciente de seu meio e ecossistema. Para ilustrar a urgência da tarefa, ele citou o relatório da World Wildlife Fund (WWF) que aponta que, entre 1970 e 2010, perdemos 52% da vida vertebrada na Terra.

“Parece que só importa o Produto Interno Bruto (PIB) e extraímos tudo que podemos da Terra, sem olhar para frente ou para o lado. Temos aquecimento global no horizonte e seguimos destruindo”, lamenta Dowbor. Para frear essa realidade, ele acredita que é necessário “fertilizar o potencial das pessoas” e transformar a escola “num vetor de igualdade”. “Sozinho, ninguém resolve problema nenhum. Pela base, podemos começar a mudar as coisas, respeitando uns aos outros e com informação. Com ela, todos somos iguais”, defende o economista.
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Escola brasileira adota yoga e meditação antes das aulas e melhora as notas dos estudantes

Todos sabem o quanto a meditação pode ser importante na vida de uma pessoa, inclusive podendo alterar a formação de células no corpo. A última novidade sobre seus benefícios veio de um experimento feito com crianças aqui no Brasil.

De acordo com uma reportagem da Folha de São Paulo, a escola Centro de Apoio O Visconde, no Real Parque, SP, implantou exercícios de yoga para os alunos antes das aulas de matemática, o que melhorou seus rendimentos na hora de aprender. As 134 crianças passam por 20 minutos de exercícios físicos e de respiração antes e depois que entram na sala de aula.

Sentados confortavelmente, mentalizam palavras ou sons de olhos fechados, o que acalma os ânimos e aprimora o comportamento. Com isso, a convivência entre todos e a qualidade das aulas melhorou. Ou seja, professores e alunos zens se beneficiam e avançam o nível educacional e social dentro das escolas públicas.

Uma salva de palmas para a iniciativa! Boas ideias como esta devem nos inspirar e se espalhar para todos os cantos do Brasil. (Hypeness)

Escola em tempo integral começa a avançar no Brasil

Mais de 4 milhões de alunos do ensino fundamental público já têm sete horas de aula por dia, mas o financiamento da ampliação da jornada ainda é um desafio para os governos. Também é preciso dar mais qualidade a esse tempo extra de atividades oferecidas aos estudantes, defendem especialistas

Uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a escola em tempo integral – em que o estudante tem sete horas de aula por dia, em vez de quatro – vem se expandindo rapidamente no país. No ano passado, dos 24 milhões de alunos da rede pública de ensino fundamental, 4,3 milhões tinham jornada ampliada, revela o Censo da Educação Básica 2014, divulgado neste mês. Um crescimento de 500% em relação a 2008, quando a modalidade atendia pouco mais de 700 mil estudantes.
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Tecnologias e educação: esperando Godot

Uma jornalista da Carta Escola, que realizava uma matéria baseada no título do recente filme Do Giz ao Tablet: por que a tecnologia não revolucionou a educação, me fez algumas perguntas sobre o tema. Como fiquei satisfeito com certas respostas, fiz alguns cortes, complementos e emendas que dão forma ao texto a seguir.
Alguns autores notam que nós podemos pensar na relação entre as tecnologias e a educação formal a partir de dois quadros de referência. O primeiro relaciona-se com ambiente “externo” à escola, deste modo há um foco (as mídias) fora da instituição escolar. No entanto, essa dimensão tecnocultural é bastante forte e interpenetra não só a escola, mas todas as outras instituições sociais. Trata-se, portanto, da forma como as mídias constituem, em si, um ambiente cultural formativo (provendo fontes de informações e oportunidades de interação, por exemplo).

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Como o planejamento deve ser feito e reavaliado ao longo do ano letivo

Durante o horário da saída, uma professora levava sua turma de educação infantil ao encontro dos pais e se deparou com uma taturana no meio do caminho. Naqueles dias, as crianças haviam mostrado interesse em observar o movimento dos animais encontrados na escola, como insetos e passarinhos. A professora tinha então duas opções: parar para discutir com os alunos sobre o animal, e consequentemente alterar as atividades que tinha planejado para os dias seguintes, ou mudar seu trajeto e seguir com a saída, poupando sua rotina de uma confusão. A professora preferiu parar e observar a taturana com as crianças, que começaram a levantar hipóteses sobre os perigos que ela oferecia. Até que um dos alunos, no que ele acreditou ser um ato heroico, tirou o sapato e matou a lagarta.

“Uma menina começou a chorar, outra disse que o garoto era assassino, e ele achava que tinha salvado a turma. No outro dia minha rotina foi totalmente voltada para isso. Fizemos uma roda de conversa sobre o que tinha acontecido e tivemos a oportunidade de falar sobre o direito à vida e sobre o que representa tirar a vida de outro ser”, conta Luciana Haddad, coordenadora pedagógica do Colégio Integral, de Campinas, e protagonista da história acima.

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MEC vai aplicar o Enade 2015 no dia 22 de novembro

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) será realizado no dia 22 de novembro às 13h (horário de Brasília). As regras do Enade foram publicadas na última segunda-feira (9) no “Diário Oficial da União”. Ao todo serão avaliados estudantes de 26 cursos.

A prova avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e concluintes, e é obrigatória para obtenção do diploma. O Enade é aplicado, no máximo, a cada três anos para cada área do conhecimento.

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Cursos gratuitos pelo país são ofertados para professor completar formação

Educadores das redes públicas que atuem na educação básica e não possuem graduação ou necessitem completar sua formação podem fazer cursos presenciais do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor). O período de pré-inscrição vai até o dia 13 de março de 2015.

Os cursos são oferecidos por universidades de todo o Brasil. Para concorrer à vaga, os docentes devem realizar seu cadastro e pré-inscrição na Plataforma Freire (http://freire.capes.gov.br/). Além disso, devem estar cadastrado no Educacenso na função docente da rede pública de educação básica, e ter sua pré-inscrição validada pela Secretaria de Educação ou órgão equivalente a que estiver vinculado.

Para mais informações, acesse o site. (NET Educação)

Calendário de Capacitação/Abril

A programação completa de capacitação para o mês de abril/2015 já está disponível. Você pode baixar o arquivo (PDF) na aba “Capacitação” do blog NotaMáxima ou no endereço http://www.notamaxima.net.br/site/capacitacao

Congresso de educação inclusiva discute olhares sobre a diversidade

O XVII Congresso de Educação Inclusiva, entre 13 e 15 de março de 2015, tem como tema “Inclusão e Diversidade: múltiplos olhares”. A abertura será às 20h do dia 13.

O evento contará com a “Conferência – Educação e inclusão social: o professor como agente de transformação”, presidida pelo instrutor de práticas de acessibilidade em empresas aéreas, Humberto Alexandre.

Nos demais dias, o evento inicia às 8h. O endereço é Avenida Eng. Davi Monteiro Lino, s/n (ao lado da rodoviária) – Jacareí/SP. Para mais informações, pelos telefones (19) 36714595 e (19) 984039365 ou no site. (NET Educação)

‘Escola, não!’ Entenda motivos que levam ao estudo em casa

Em 1942, a judia Anne Frank foi obrigada a deixar a escola para se esconder com a família durante a Segunda Guerra Mundial. A solução encontrada pelo pai foi ensinar a filha em casa no período em que ela não pôde frequentar as aulas. Não somente situações extremas como essa podem levar pais a optarem por retirar um filho da escola. Às vezes, o estudante não se adapta ao ritmo de aprendizado da instituição.

No Brasil, em Porto Alegre, um casal espera a decisão da promotoria por ter retirado a filha de 13 anos da escola. Os pais não concordavam com algumas diretrizes da instituição de ensino. Procurados pelo Terra, eles preferiram não se manifestar para não haver interferência no processo judicial.
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Boyhood: um grande filme para trabalhar com adolescentes

Seguindo a vida de um menino e sua família ao longo de 12 anos, nos proporciona uma viagem íntima pelo desenvolvimento do menino ao longo do tempo, os efeitos do divórcio, dos pais solteiros, as relações com colegas de sua idade e os desafios enfrentados por crianças e adolescentes.

Apesar de não ser um documentário, Boyhood muitas vezes parece um. O diretor Richard Linklater fez um trabalho notável de usar os mesmos atores em um período de 12 anos, fazendo uma transição quase perfeita através dos estágios da família. É um excelente filme para usar no ensino, pois se relaciona com a vida de muitas crianças hoje e levanta questões importantes que podem provocar grandes discussões em sala de aula.
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Professores e alunos podem ser amigos nas redes sociais?

Não existe um consenso sobre como deve ser a relação de professores e alunos nas redes sociais. Eles podem ser amigos no Facebook? As informações pessoais divulgadas nas redes interferem na relação em sala de aula? As redes podem ser usadas a favor da aprendizagem? Divulgado em 2013, o documentário “Uma escola entre redes sociais” abordou o tema ao retratar o cotidiano de utilização do Facebook por professores e alunos do ensino médio do Colégio Estadual Brigadeiro Schoert, no Rio de Janeiro.

O objetivo era revelar as dinâmicas de como essa interação fora da escola acontece e para isso docentes e estudantes foram incentivados, em grupos, a debater o tema. O documentário é um dos resultados da pesquisa Redes Sociais na Escola, realizada pelo Observatório Jovem, da Universidade Federal Fluminense (UFF). “O espaço pedagógico da escola é pouco aberto para surpresas e as redes sociais nos abrem para o inesperado. A interação de professores e alunos nesse espaço permite que um conheça uma faceta do outro que não é demonstrada na escola”, afirma Paulo Carrano, coordenador do observatório e docente na faculdade e educação da UFF.
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Crianças de 1 ano já têm contato com tablets em escolas

Mal deram os primeiros passos e os bebês já dominam tablets e smartphones. Mas os pais ainda têm dúvidas sobre a influência dos cliques no desenvolvimento infantil. Algumas escolas, de olho nas potencialidades pedagógicas, usam os aparelhos com alunos desde 1 ano de idade.

A bancária Vanessa Brandani deu um tablet de presente para a filha Isabela, que acabou de completar 3 anos. No aparelho, a criança curte brincadeiras tradicionais em versão high-tech, como jogo da memória e quebra-cabeça. “Mesmo novinha, ela manuseia com muita facilidade. Aprendeu quase sozinha. Parece que estava conectada desde a barriga”, brinca.

Para a mãe, há vantagens. “Ela identifica o próprio nome na tela. Tem aplicativos de pintar, desenhar. Desenvolve a coordenação motora”, disse. “Sei que alguns especialistas são contra. Mas no restaurante é um santo remédio. Ela se distrai”, afirma Vanessa, de 36 anos. “Controlo tudo o que ela acessa e não deixo usar por tempo demais.”

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