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ESPECIAL: Conhecimento prévio de Piaget – Conhecimento prévio não é sinônimo de pré-requisito

Um último ponto – fundamental – é desfazer a confusão entre conhecimento prévio e os chamados pré-requisitos. Apesar do uso corrente como sinônimos, no campo da Educação os dois termos não significam a mesma coisa. Enquanto conhecimento prévio diz respeito aos saberes que os alunos já possuem, os pré-requisitos constituem uma lista, muitas vezes arbitrária, de conteúdos e habilidades sem as quais, teoricamente, não seria possível avançar para o conteúdo seguinte. Há dois problemas com o uso de pré-requisitos. O primeiro é excluir do processo educativo alunos que não dominam determinado tema. O segundo é que, em muitos casos, os pré-requisitos determinados pelo professor são aleatórios e não têm relação com o processo de aprendizagem. Na alfabetização, por exemplo, pensava-se há até pouco tempo que conhecer todas as letras do alfabeto era um pré-requisito para começar a escrever. Hoje, as pesquisas psicogenéticas mostram que isso não é verdade, já que as letras do nome próprio funcionam como um primeiro referencial para as crianças arriscarem a escrita. “Trabalhar com conhecimento prévio, em vez de pré-requisitos, aprimora o ensino”, finaliza Regina. (Elisângela Fernandes | Nova Escola)

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ESPECIAL: Conhecimento prévio de Piaget – Sondagens de saberes: como fazê-las bem

Não resta dúvida de que a força conferida ao conhecimento prévio transformou as rotinas das salas de aula. Entretanto, ainda persistem alguns mal-entendidos relacionados ao tema. O mais básico deles é realizar a sondagem do que a turma sabe, mas não utilizar esse resultado no planejamento do trabalho diário. “De nada adianta coletar informações se elas não servirem como guia para orientar atividades, agrupamentos e intervenções”, defende Tania Beatriz Iwaszko Marques, docente da UFRGS.

Outro engano recorrente diz respeito à forma como as sondagens são conduzidas. Para muitos professores, diagnosticar conhecimentos prévios equivale a conversar com os alunos e ver o que eles sabem sobre o assunto. Essa raramente é a melhor estratégia. Digamos, por exemplo, que o objetivo de um docente de Educação Física é ensinar futebol. Dificilmente ele vai conhecer a condição prévia de cada criança a não ser que as coloque para jogar. “O caminho mais indicado para identificar os saberes dos estudantes é propor situações-problema, desafios que os obriguem a mobilizar o conhecimento que possuem para resolver determinada tarefa”, afirma Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA.
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ESPECIAL: Conhecimento prévio de Piaget – O que cada um já sabe

Virou quase uma obrigação. Não há (ou pelo menos não deveria haver) professor que inicie a abordagem de um conteúdo sem antes identificar o que sua turma efetivamente conhece sobre o que será tratado. Apesar de corriqueira nos dias de hoje, a prática estava ausente da rotina escolar até o início do século passado. Foi Jean Piaget (1896-1980) quem primeiro chamou a atenção para a importância daquilo que, no atual jargão da área, convencionou chamar-se de conhecimento prévio.

As investigações do cientista suíço foram feitas sob a perspectiva do desenvolvimento intelectual. Para entender como a criança passa de um conhecimento mais simples a outro mais complexo, Piaget conduziu um trabalho que durou décadas no Instituto Jean-Jacques Rousseau e no Centro Internacional de Epistemologia Genética, ambos em Genebra, Suíça. Ao observar exaustivamente como os pequenos comparavam, classificavam, ordenavam e relacionavam diferentes objetos, ele compreendeu que a inteligência se desenvolve por um processo de sucessivas fases. Dependendo da qualidade das interações de cada sujeito com o meio, as estruturas mentais – condições prévias para o aprendizado, conforme descreve o suíço em sua obra – vão se tornando mais complexas até o fim da vida. Em cada fase do desenvolvimento, elas determinam os limites do que os indivíduos podem compreender.
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ESPECIAL: Esquemas de ação de Piaget – Entre os legados do conceito, a importância da infância

Um dos grandes legados da noção de esquemas de ação foi a compreensão da importância da primeira infância no desenvolvimento da inteligência. “O resultado disso é que há hoje em todo o mundo uma grande demanda por uma Educação Infantil de qualidade, que possibilite aos pequenos vivenciar, interagir, experimentar e, com isso, ampliar o desenvolvimento de suas possibilidades cognitivas”, lembra Adrian.

Isso não impediu que algumas nuances da ideia fossem mal interpretadas. O apego excessivo à faixa etária de cada período é um deles. “Muitos professores compreendem os estágios como uma forma congelada de classificação dos alunos, sem perceber que a indicação de idade é apenas uma aproximação e que as passagens de uma fase para outra dependem da qualidade das interações de cada um com o meio”, explica Agnela.
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ESPECIAL: Esquemas de ação de Piaget – A capacidade de simbolizar marca a passagem de período

Uma conquista mais significativa, porém, aparece quando a criança desenvolve a capacidade semiótica – ou seja, a habilidade de atribuir valor simbólico às coisas. Por exemplo, ouvir a palavra “cadeira” e ser capaz de imaginar um modelo sem precisar tê-lo diante dos olhos naquele momento. Essa capacidade – a de representação – indica, para Piaget, a entrada no período pré-operatório (de 3 a 7 anos), com o aparecimento dos primeiros esquemas de ação mentais – como a fala. “A linguagem é uma ação sofisticada. Com ela, é possível transformar o mundo sem recorrer aos objetos”, afirma Agnela.

No terceiro período, chamado de operatório-concreto (de 8 a 11 anos), a criança amplia a capacidade de agir (ou seja, operar) sobre o real (os objetos concretos). Já é capaz de relacionar, classificar, comparar objetos seguindo critérios lógicos e realizar as primeiras operações aritméticas e geométricas. “É possível trabalhar com grandes números, superando os limites impostos pela contagem com suporte físico”, diz Agnela.
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ESPECIAL: Esquemas de ação de Piaget – A inteligência em três tempos

O bebê explora, põe tudo na boca, descobre novos objetos. A menina brinca de casinha, o menino representa uma corrida com seus carrinhos de brinquedo. Um pouco mais tarde, ambos voltam a atenção às regras de conduta e moralidade. Já o adolescente, mais reflexivo, é capaz de construir argumentos para rebater os dos pais e planejar o próprio futuro. São formas diferentes de interagir com o mundo, que vão se tornando mais complexas à medida que o indivíduo cresce. Na obra de Jean Piaget (1896-1980), esses mecanismos recebem o nome de esquemas de ação e são considerados o motor do conhecimento.

Há inúmeras possibilidades de esquemas de ação (leia um resumo do conceito na última página). Mamar, sugar, puxar e prender são esquemas comuns no desenvolvimento da inteligência sensório-motora (em média, até 2 anos de idade). Imitar, representar e classificar é típico da inteligência pré-operatória (aproximadamente de 3 a 7 anos), assim como ordenar, relacionar e abstrair caracteriza o período operatório-concreto (de 8 a 11 anos). Já argumentar, deduzir e inferir aparece na estruturação da inteligência operatória formal (a partir dos 12 anos). É com base nesses esquemas que as pessoas constroem as estruturas mentais que possibilitam o aprendizado (leia um trecho de livro sobre o assunto no quadro da próxima página). “Inicialmente, isso se dá com a experiência empírica, concreta. Em seguida, conforme a criança vai se desenvolvendo, ela caminha em direção ao pensamento formal, abstrato”, explica Agnela da Silva Giusta, professora de Ensino de Ciências e Matemática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).
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ESPECIAL: Sujeito epistêmico de Piaget – Na Educação, a importância de testar hipóteses e soluções

Outra concepção diretamente derivada da obra de Jean Piaget é a noção de que, se todos têm as mesmas possibilidades de construir conhecimento, então todos podem aprender. A essa altura, uma questão parece inevitável: o que explica as diferenças de conhecimento – por vezes tão acentuadas – entre os indivíduos? Por que algumas pessoas chegam à idade adulta com um amplo domínio dos conteúdos científicos e outras não?

Para o grande pensador suíço, salvo nos casos de indivíduos com algum dano cerebral, a capacidade de aprender está diretamente relacionada às oportunidades de troca. A explicação para os distintos níveis de aprendizagem passa por aí: hoje sabe-se, por exemplo, que crianças que possuem contato com livros em casa chegam à escola com mais facilidade para se alfabetizar do que as que vivem em famílias que não têm o hábito da leitura. “Tais defasagens, porém, são transitórias. Se tiverem mais oportunidades, essas crianças podem perfeitamente superar as diferenças”, completa Zélia. (Elisângela Fernandes | Nova Escola)

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ESPECIAL: Sujeito epistêmico de Piaget – A cada nova informação, uma constante reelaboração

A Filosofia não foi a única disciplina com a qual Piaget dialogou. Da Biologia, o pesquisador considerou as ideias evolutivas do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829). Da Psicologia, continuou os estudos pioneiros de seu mestre, o suíço Édouard Claparède (1873-1940), sobre o pensamento infantil. Armado com o conhecimento dessas três áreas (e de décadas de observação e entrevistas com crianças), o pensador suíço terminou por se contrapor a vários pontos da filosofia de Kant, argumentando que as estruturas cognitivas não nascem com o indivíduo. À exceção da habilidade de construir relações (para Piaget, essa é a única característica pré-formada no ser humano), as demais são construídas e reelaboradas ao longo do tempo. Cada nova informação atualiza não só o que se aprende mas também as formas por meio das quais se aprende.
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ESPECIAL: Sujeito epistêmico de Piaget – O desenvolvimento da inteligência

TA-PiagetMesmo sem ser pedagogo, o cientista suíço Jean Piaget (1896-1980) foi um dos pensadores mais influentes da Educação. Sua atualidade e repercussão na sala de aula devem-se, principalmente, ao incessante trabalho em compreender como se desenvolve a inteligência humana. Entre estudos e pesquisas, que renderam mais de 20 mil páginas, um conceito perpassa toda a sua obra: a ideia do sujeito epistêmico. Segundo Piaget, esse “sujeito” expressa aspectos presentes em todas as pessoas. Suas características conferem a todos nós a possibilidade de construir conhecimento, desde o aprendizado das primeiras letras na alfabetização até a estruturação das mais sofisticadas teorias científicas.

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ESPECIAL: Teorias de aprendizagem – Construtivismo, a tentativa de caminho do meio

Com inatismo e empirismo apontando para lados opostos (“O saber está no indivíduo” versus “O saber está na realidade exterior”), o século 20 nasceu com uma tentativa de caminho do meio para explicar o aprendizado: a perspectiva construtivista. De acordo com essa linha, o sujeito tem potencialidades e características próprias, mas, se o meio não favorece esse desenvolvimento (fornecendo objetos, abrindo espaços e organizando ações), elas não se concretizam.

A presença ativa do sujeito diante do conteúdo é essencial – portanto, não basta somente ter contato com o conhecimento para adquiri-lo. É preciso “agir sobre o objeto e transformá-lo”, como diz Jean Piaget (1896-1980) (leia o quadro abaixo). Foi o cientista suíço quem cunhou o termo construtivismo, comparando a construção de conhecimento à de uma casa, que deve ter materiais próprios e a ação de pessoas para que seja erguida.
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ESPECIAL: Teorias de aprendizagem – Empirismo, a absorção do conhecimento externo

Aristóteles (384-322 a.C.) apresentou uma perspectiva contrária à de Platão (como se vê no quadro resumo, abaixo). Segundo ele, embora as pessoas nasçam com capacidade de aprender, elas precisam de experiências ao longo da vida para que se desenvolvam. A fonte do conhecimento são as informações captadas do meio exterior pelos sentidos. Ideias como essa impulsionaram o empirismo, corrente favorável a um ensino pela imitação – na escola, as atividades propostas são as que facilitam a memorização, como a repetição e a cópia.

“Os empiristas acreditavam que as informações se transformam em conhecimento quando passam a fazer parte do hábito de uma pessoa”, explica Clenio Lago, professor de Filosofia da Educação na Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), em São Miguel do Oeste. Absorvidos tal como uma esponja retém líquido, os dados aprendidos são acumulados e fixados – e podem ser rearranjados quando outros conteúdos mais complexos aparecem. A mente humana é definida como uma tábula rasa, um espaço vazio a ser preenchido. “A criança é comparada à água, que pode ser canalizada na direção desejada”, diz Lago.
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ESPECIAL: Teorias de aprendizagem – Inatismo, o saber congênito

A busca por respostas começa na Antiguidade grega, com o nascimento do pensamento racional, que busca explicações baseadas em conceitos (e não mais em mitos) como uma forma de entender o mundo. Para os primeiros filósofos, a dúvida consistia em saber se as pessoas possuem saberes inatos ou é se possível ensinar alguma coisa a alguém.

Platão (427-347 a.C.) firmou posição a favor das ideias congênitas. Defendendo a tese de que a alma precede o corpo e que, antes de encarnar, tem acesso ao conhecimento, o discípulo de Sócrates (469-399 a.C.) afirmou que conhecer é relembrar, pois a pessoa já domina determinados conceitos desde que nasce.

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Hirokazu Yoshikawa: “A boa educação começa ao nascer”

O psicólogo americano, de origem japonesa, Hirokazu Yoshikawa escolheu estudar os impactos da pobreza e da imigração na educação. Chegou, então, a outro ponto de interesse: a infância, na faixa etária que vai do nascimento aos 5 anos de idade. Cuidar dos pequenos nesses primeiros anos de vida, afirma ele, é a forma mais eficaz de diminuir e até neutralizar os efeitos negativos que a pobreza causa na capacidade de aprendizado e no desenvolvimento das crianças. Professor da Faculdade de Educação de Harvard e da Universidade de Nova York, Yoshikawa esteve no Brasil para participar do congresso sobre infância da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Ele conversou com ÉPOCA sobre a importância de cuidarmos dos imigrantes, que chegam de outras nações ou que se mudam de áreas isoladas para as grandes cidades de um país. A negligência com os imigrantes, diz Yoshikawa, pode alimentar crises sociais e educacionais difíceis de ser remediadas.

ÉPOCA – Qual o impacto da pobreza na educação?
Hirokazu Yoshikawa – A pobreza tem um impacto enorme na educação e na capacidade de aprendizado da criança, por diversas razões. A mais evidente é a falta de dinheiro dos pais para pagar melhores escolas e comprar livros e brinquedos que a estimule. Sabemos que a boa qualidade da pré-escola tem um papel importante no desenvolvimento da criança. Pais de baixa renda têm pouco acesso a instituições como essas. E há impactos que vêm dessa circunstância. Um dos mais relevantes é o estresse dos pais que trabalham muito e, ainda assim,  não têm dinheiro para pagar contas. A falta de disposição gerada por esse estresse é um impedimento maior para os pais participarem da vida dos filhos do que a falta de tempo em si.
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O papel social da Educação Infantil no desenvolvimento da criança

Ir para a escolinha brincar? Nada disso! Quando a criança inicia a Educação Infantil, ela está se preparando para o seu ambiente social mais importante depois da sua casa, afinal, a infância é um período importante para aprender e formar o cidadão.

Cleonara Schwartz, professora do programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), reforça o papel da escola no desenvolvimento social e cultural da criança, especialmente porque cria oportunidades de socialização que nem sempre a família tem tempo para executar.
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Aprendendo a aprender

barbara_oakley-267x400Assim como muitos de nós, Barbara Oakley, 60 anos, professora de Engenharia na Universidade de Oakland, em Rochester, no estado norte-americano de Michigan, era má aluna em Matemática na escola.

Por causa da experiência ruim, nunca gostou da disciplina e entrou para o Exército dos Estados Unidos assim que pegou o diploma de Ensino Médio, determinada a estudar línguas, mais especificamente, o russo.

Ao fim da experiência, porém, percebeu que seus colegas engenheiros do exército conseguiam resolver problemas com mais facilidade e tinham mais perspectivas de emprego do que ela.
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Orientação sexual é suprimida da Base Nacional Curricular

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Segundo pesquisa, 27% dos brasileiros iniciam sua vida
sexual antes dos 15 anos

Aberta para discussão pública até o dia 15 de dezembro, a Base Nacional Comum Curricular determinará o conteúdo que todas as escolas do País deverão ensinar, garantindo desta forma equidade ao sistema educacional.

O documento é uma substituição aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), criados pelo governo federal com a finalidade de servir como referência na elaboração dos currículos das redes.
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As descobertas da neurociência e o brincar

Brincar está voltando ao centro de atenções, tanto nos meios acadêmicos e científicos quanto por parte dos gestores de políticas públicas. Podemos afirmar que, finalmente, os adultos, sejam pais, profissionais ou agentes públicos estão começando a valorizar as brincadeiras como meio fundamental para o desenvolvimento integral das crianças e das relações sociais pacíficas e cidadãs.
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A neurociência comprovou que no decorrer de todo o processo de desenvolvimento, mesmo antes do nascimento, o cérebro é influenciado não apenas pela herança genética, mas também pelas condições ambientais, incluindo o tipo de criação, cuidados, ambiente e estimulação recebidos pela criança.
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Funk ajuda a despertar pontos de vista em sala de aula

Foi ao perceber o interesse dos seus alunos pelo funk que a professora de Língua Portuguesa Rosilene Maria Nascimento, de Belo Horizonte (MG), teve a ideia de trazer o polêmico ritmo para dentro da sala de aula. “Os alunos ouvem funk o tempo todo. Aos finais de semana, frequentam bailes e todas as relações que estabelecem giram em torno desse gênero musical. Nesse sentido, entendi que se tratava de uma prática de letramento”, justifica Rosilene, que leciona no Ensino Fundamental para jovens e adultos.
Os alunos de 16 a 50 anos foram convidados a revisitar as letras das suas músicas preferidas, discutir as temáticas que elas abordavam e desenvolver artigos de opinião. “Eles discutiram luta de classes, hegemonia, sexismo, consumismo, organização política e cultura. Hoje são pessoas mais críticas e sentem-se mais seguros das suas posições e da sua argumentação”, comemora a professora.
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Richard D. Roberts: “A educação emocional pode gerar uma revolução social”

É muito difícil pesquisar qualquer assunto relacionado à educação emocional, ao impacto da personalidade na aprendizagem e à inteligência afetiva sem deparar com o nome do australiano Richard D. Roberts. Rich, como gosta de ser chamado (inclusive em sua biografia acadêmica), é autor de mais de uma dúzia de livros e de mais de 150 estudos científicos sobre personalidade e educação emocional. É considerado um dos maiores especialistas em análise e avaliação de personalidade. Doutor em filosofia e psicologia pela Universidade de Sydney, Roberts especializou-se em avaliações internacionais de educação tradicional, entre elas o Pisa – Programa de Avaliação Internacional de Estudantes, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Fez isso “até o dia em que as achei insuficientes”, diz ele. “Nenhuma nota individual é capaz de olhar o estudante efetivamente.” Há 20 anos, dedica-se ao desenvolvimento de análise e avaliações emocionais e de personalidade. Hoje, vive em Nova York e dirige o Professional Examination Service, entidade que desenvolve avaliações para novos modelos de educação.

ÉPOCA – Por que ensinar os estudantes a lidar com as  emoções é importante?
Richard Roberts – Há fortes evidências de que trabalhar essas habilidades traz resultados positivos para os alunos no aprendizado de vários tipos de conteúdo e sobretudo na vida social. Nos Estados Unidos, temos pesquisas sérias que comprovam que para cada dólar investido em programas de educação socioemocional há um retorno de US$ 7 em benefícios para as pessoas que convivem com quem recebeu esse tipo de educação. Pense no poder de revolução social dessa pedagogia.

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Eduque suas emoções

A auxiliar de educação Maria Carolina Dias da Silva está se preparando para cumprir uma maratona de joelhos. Literalmente. No final do ano, quando houver a colação de grau do 5º ano de seu filho mais velho na Escola Estadual Alfredo Paulino, em São Paulo, Carolina deve ir de joelhos de sua casa à escola, a cerca de 2 quilômetros, para receber o canudo. Trata-se de uma promessa. Estamos em setembro e já dá para saber que Carolina terá de preparar os joelhos. Igor, o alvo da promessa, é um garoto bonito, de sorriso charmoso e olhos muito vivos. Fala do que gosta, do que não gosta, de como se enxerga e de como é visto pelos amigos com a tranquilidade de alguém que se conhece bem. Sem seu histórico, é difícil entender por que a mãe ralará os joelhos. Ele mesmo explica: “Eu ia para a diretoria todos os dias”, diz. Era muito frequente? “Não, era só todos os dias.”

Mau comportamento era o motivo mais comum para as convocações à diretoria. “Eu ficava muito irritado, gritava, brigava com os colegas e, às vezes, batia neles”, diz. Carolina afirma que Igor sempre fora muito nervoso, na escola e em casa com os dois irmãos menores, de 7 e 5 anos. Carolina pediu transferência para trabalhar em uma escola em que Igor pudesse estudar para ficar por perto e tentar ajudá-lo. “Chorava todos os dias. Tinha medo de que ele não conseguisse chegar ao 5º ano”, afirma Carolina. O que ocorreu para que Igor mudasse seu padrão de comportamento? “Eu passei a contar até dez e respirar”, diz Igor. “Às vezes, escuto e percebo que não fizeram nada contra mim.”
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